Uma complexa e acalorada disputa por terras está se desenrolando no município de Taiobeiras-MG, envolvendo acusações de grilagem, georreferenciamento fraudulento e exploração ilegal de madeira. No centro do conflito, Rivaldávio Gomes de Souza aponta o empresário Alírio Xavier Rodrigues e outrAs pessoas como responsáveis por uma série de irregularidades que teriam afetado sua propriedade e a de outras famílias na região. A controvérsia, que já mobiliza a Polícia Civil e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), expõe os desafios da regularização fundiária e a complexidade das relações no campo.
As acusações de Rivaldávio
são de que haveria uma "quadrilha de grileiros" atuando em
Taiobeiras. Ele diz que é proprietário da Fazenda Samambaia e alega ser vítima
de uma "quadrilha de grileiros" que estaria utilizando métodos
fraudulentos para se apropriar de terras. Segundo ele, o grupo emprega
"georreferenciamento falso", "confinantes falsos" e até
mesmo matrículas de propriedades de outras localidades para sobrepor áreas e
legitimar a posse indevida.
Em sua denúncia à Polícia
Civil, Rivaldávio detalha que sua Fazenda Samambaia, com 40,5 hectares, foi
invadida por Cássio Aleano Alves Sarmento, que se autodenominaria “Rei do
Carvão”, o qual estaria realizando extração e destoca de eucalipto e madeira
nativa sem autorização do IEF e sem ter adquirido a propriedade. Ele afirma que
Cássio teria utilizado documentos supostamente fraudulentos fornecidos por
Alírio Xavier Rodrigues, incluindo registros, matrículas e georreferenciamentos
com confinantes inexistentes.
Além disso, Rivaldávio acusa
o grupo de utilizar "DCFs falsas" (Declarações de Colheita de
Florestas Plantadas e Produção de Carvão) para adentrar nas propriedades,
provocar incêndios florestais, cortar madeira e plantar eucalipto,
estabelecendo uma "falsa posse" e ameaçando moradores. Ele também
menciona Marisa Nunes como outra suposta "laranja" de Alírio Xavier,
que teria alterado o nome de uma fazenda para facilitar as investidas.
A Polícia Civil de Taiobeiras
já instaurou um inquérito policial para investigar as denúncias de Rivaldávio,
que incluem crimes como organização criminosa, ameaça, invasão de propriedade e
grilagem de terras.
A versão de Alírio Xavier Rodrigues: "Já caiu tudo
por terra"
Ouvido sobre os fatos, Alírio
Xavier Rodrigues, administrador da AGEFLOR Empreendimentos e Participações
Ltda, refuta veementemente as acusações de Rivaldávio. Segundo ele, "já
caiu tudo por terra o que Rivaldávio disse". Alírio afirma que seu
empreendimento "tem georreferenciamento e Declaração de Colheita de
Floresta (DCF) aprovada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF)". Ele
ainda desafia Rivaldávio, dizendo que "ele fica falando, mas não entra na
justiça".
Em sua declaração à Polícia
Civil, Alírio Xavier Rodrigues detalha que é proprietário de uma área de 347
hectares, denominada Cabepreta 3, no município de Taiobeiras. Ele também afirma
possuir, contígua a essa, uma área de 97 hectares (Fazenda Vereda
Quebrada/Suçuarana), adquirida de Mendes Rodrigues de Souza, e a Fazenda
Samambaia, de 43 hectares, comprada do próprio Rivaldávio Gomes de Souza e seus
irmãos em fevereiro de 2022, por R$ 86.000,00, conforme contrato de compra e
venda.
Alírio explica que adquiriu a
área Cabepreta 3 em dezembro de 2015 e que
desde então explora a área com plantio de eucalipto para produção de carvão,
negando qualquer exploração de madeira nativa. O empresário reitera que possui
toda a documentação necessária, incluindo a Declaração de Colheita de Floresta
(DCF) autorizada pelo IEF, e que seu georreferenciamento é certificado pelo
INCRA. Ele confirma que Cássio Aleano Alves Sarmento estava prestando serviços
de extração de eucalipto em sua propriedade.
Sobre a alegação de
Rivaldávio de que as DCFs não haviam sido homologadas, documentos do IEF
mostram que uma Declaração de Colheita de Floresta para a Fazenda Samambaia,
com a AGEFLOR como exploradora e Rivaldávio como proprietário, foi de fato
homologada em abril de 2022. No entanto, um pedido posterior de DCF pela
empresa BIO STILO Empreendimentos Florestais Ltda para a mesma Fazenda
Samambaia não foi aceito para protocolo, pois o próprio Rivaldávio havia
solicitado o cancelamento de todos os cadastros e DCFs vinculados à sua
propriedade, alegando que havia sido vendida.
O nó da questão: venda da propriedade e alegação de invasão
Um dos pontos mais cruciais e
contraditórios da disputa reside na Fazenda Samambaia. Enquanto Rivaldávio
acusa Alírio de invadir sua propriedade, o contrato de compra e venda anexado
aos autos indica que Rivaldávio e seus irmãos venderam a Fazenda Samambaia para
a AGEFLOR Empreendimentos e Participações Ltda, administrada por Alírio Xavier
Rodrigues, em fevereiro de 2022.
Essa transação, confirmada
por Alírio em seu depoimento, levanta questões sobre a natureza da
"invasão" alegada por Rivaldávio, uma vez que a propriedade já havia
sido alienada.
A versão de Cássio: Vítima de denunciação caluniosa
Cássio Aleano Alves Sarmento,
por sua vez, nega veementemente as acusações de Rivaldávio e se apresenta como
vítima de "denunciação caluniosa". Ele ajuizou uma ação de
indenização por danos morais contra Rivaldávio. Nessa ação, Cássio relata ter
recebido uma intimação referente a uma suposta invasão e exploração indevida de
madeira de eucalipto. Ele afirma que jamais praticou tal ato e que nunca esteve
pessoalmente no local.
Segundo Cássio, seus
funcionários estavam prestando serviços de extração de eucaliptos para Alírio
Xavier Rodrigues, a quem ele identifica como o "legítimo possuidor"
da propriedade. Cássio enfatiza que a propriedade em questão foi vendida por
Rivaldávio e seus três irmãos à empresa AGEFLOR, administrada por Alírio Xavier
Rodrigues, em fevereiro de 2022, conforme contrato de compra e venda e Cadastro
Ambiental Rural (CAR) atualizado.
Cássio alega que a acusação
de Rivaldávio é "falsa", "imbuída de mau sentimento" e com
o "intuito de ferir e causar dor", manchando sua honra como
empresário no ramo de extração de eucaliptos. Ele destaca que Alírio possuía
toda a documentação e licenças ambientais devidamente regularizadas para a
exploração da madeira. Para Cássio, a conduta de Rivaldávio é "criminosa"
e "ilícita", causando-lhe prejuízos financeiros e morais, e ele busca
reparação judicial por esses danos.
Perspectivas futuras: A busca por resolução legal
A complexidade das acusações
e contra-acusações, somada à existência de decisões judiciais que já apontam
irregularidades em registros de terras na região, sugere que a resolução desse
conflito será longa e dependerá de uma análise aprofundada das autoridades
competentes. A Polícia Civil continua investigando as denúncias, e admite que a
validade dos georreferenciamentos e das licenças ambientais será crucial para
determinar a verdade dos fatos.
A disputa em Taiobeiras é um microcosmo dos desafios fundiários no Brasil, onde a sobreposição de matrículas, a dificuldade de fiscalização e a complexidade da legislação podem abrir brechas para a grilagem e a exploração ilegal de madeira natirv e proveniente de florestas plantadas.

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